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PostHeaderIcon 13º CONGRESSO NACIONAL DA CUT “Lula Livre” – Sindicatos Fortes, Direitos, Soberania e Democracia

Sindicatos de inúmeros países pregam união para vencer os desafios do futuro do trabalho

“Sindicalismo do Futuro e os Impactos das Novas Tecnologias no Sul Global” foi o tema de abertura do 13º Congresso Nacional da CUT, realizado de sete a 10 de outubro na Praia Grande, no litoral de São Paulo. O presidente do SINTICAL, Rogério Aguirre, participou como delegado do congresso que teve a presença de representantes da África, América Latina e Europa. Todos enfatizaram que, sem democracia, sem a contenção dos avanços da extrema direita no mundo e sem Lula Livre toda a luta dos trabalhadores pode ser comprometida.

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Na abertura do evento a vice-presidenta nacional da CUT, Carmen Foro, lembrou que o mundo vem caminhando para mais retrocessos aos direitos da classe trabalhadora. E que no Brasil, diante dos atos do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para destruir o sindicalismo brasileiro e dos ataques aos direitos sociais e trabalhistas, é preciso agradecer a solidariedade internacional que a Central vem recebendo e o apoio por Lula livre.

Antonio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT, também agradeceu a solidariedade internacional e lembrou que a luta dos sindicalistas cutistas é a mesma que a dos companheiros de todo o mundo, em defesa da democracia e do trabalho decente.

Novas tecnologias

O representante da Fundação Friedrich Ebert (FES Brasil), Yesko Quiroga, acrescentou que a discussão sobre as novas tecnologias tem de vir junto com as discussões sobre globalização e o desenvolvimento demográfico que estão modificando as cadeias de trabalho.

“O avanço da direita, do retrocesso, da precarização com mais flexibilização está afastando a representação sindical porque os trabalhadores não se sentem mais como trabalhadores. Foi incutida a ideia de que somos colaboradores das empresas”, criticou o dirigente da FES Brasil.

Segundo Yesko, instituições de pesquisa coincidem numa visão pessimista de perda de empregos e precarização dos trabalhos, principalmente na América Latina. “Para enfrentar os efeitos negativos, para ter trabalho decente, precisamos de novas estratégias sindicais. É preciso ter acesso a um sistema social forte e consistente que defenda os menos favorecidos, mas sem movimento sindical isto não vai acontecer”, declarou Yesko.

O representante da África do Sul, Rasigan Maharajh, do Instituto de Pesquisa Econômica em Inovação (IERI), fez um relato histórico de como as mudanças tecnológicas, desde a revolução industrial até hoje, afetam a vida dos trabalhadores. Segundo ele, desde o século 18 a humanidade tem aumentado sua capacidade de produzir coisas, e em cada uma dessas ondas de produção massiva de riqueza se diminuiu a distribuição e aumentou a concentração de renda. “Da revolução industrial até hoje produzimos 3 mil vezes mais, mas não há distribuição quantitativa. No mundo somente 42 milhões de pessoas, ou 0,8% do total controlam quase 45% de toda a riqueza produzida. São US$ 143 trilhões nas mãos desta pequena parcela, enquanto 2/3 da população mundial fica com apenas 2% do que é produzido”.

De acordo com Rasigan, uma nova onda tecnológica se aproxima, mas está nas mãos dos que detém o capital, aumentando a exploração e o acúmulo de riqueza. “A resposta a esses ataques tem de vir dos sindicatos, mesmo vivendo sob um momento que não é exatamente amistoso aos trabalhadores. A tecnologia é resultado da produção humana, mas tem sido expropriada de nós. Isto não é nada diferente do que havia no começo da revolução industrial”, destacou.

Lula livre

A liberdade do ex-presidente Lula, preso na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, desde abril do ano passado, os novos desafios da classe trabalhadora diante do avanço do neoliberalismo e as novas tecnologias também foram citados pela presidenta da Central Única dos Trabalhadores do Chile, Barbara Figueroa.

Segundo ela, o grande desafio da América Latina é avançar a um sindicalismo que não seja apenas uma política local, mas continental. Por isso, é preciso lutar contra a reforma da Previdência no Brasil, em defesa da aposentadoria e pela democracia. “Não basta apenas olharmos para as novas tecnologias, mas sim unir a classe trabalhadora do Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.

O dirigente da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB Alemanha), Andreas Botsch, reafirmou a luta dos sindicatos do seu país por Lula Livre. Já sobre os desafios das novas tecnologias no mundo do trabalho, Botsch disse que o aumento da produtividade está se dando às custas dos salários e da destruição do planeta.

“Estamos passando por mudanças climáticas dramáticas, maior do que pensávamos e quem sofre as primeiras consequências são os povos dos países subdesenvolvidos, mas o sofrimento também vai chegar para os povos dos países mais desenvolvidos”, alertou.

Futuro do trabalho

Para Andreas Botsch o medo sempre foi mau conselheiro. “As pessoas têm medo do futuro, se terão trabalho. Eu não acho, são os humanos que criam as máquinas e por isso que devemos falar não do trabalho do futuro, mas do futuro do trabalho”.

Segundo o dirigente, é preciso que a flexibilização do trabalho seja feita de forma que os trabalhadores tenham mais tempo de lazer, de estudo e capacitação e não para exploração da mão de obra. “É preciso mudar nossa mentalidade para sermos capazes de ser sujeitos desta mudança e não vítimas. Mas, isto não acontece automaticamente. É necessária a promoção de novos empregos e políticas sociais para quem não conseguirá encontrar um novo emprego”, acredita Botsch.

Victor Baez, da Confederação Sindical Internacional (CSI), vê com preocupação o mau uso das novas tecnologias. Ele citou, como exemplo, a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República no Brasil.

Criticou ainda o uso da tecnologia para que os empresários ganhem ainda mais dinheiro. Citou como exemplo, um taxista que hoje é obrigado a utilizar 2, 3 aplicativos de transporte para conseguir complementar sua renda. “O trabalhador não tem direitos. Hoje ele trabalha num país, mas quem administra esses aplicativos são chineses, espanhóis, cujas sedes não ficam onde as pessoas trabalham e eles não têm proteção sindical”, salientou.

Nova Executiva Nacional da CUT - 2019/2023

Os delegados e delegadas do 13º Congresso Nacional da CUT também elegeram, em chapa única, a nova Executiva Nacional da CUT para o mandato de 2019/2023.

Para a presidência da entidade foi eleito o metalúrgico do ABC, Sérgio Nobre. A vice-presidência será ocupada pelo diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Vagner Freitas, que foi presidente por dois mandatos de sete anos. A Secretaria-geral será comandada pela primeira vez nos 36 anos da CUT por uma mulher, a trabalhadora rural e ex-vice-presidente Carmen Foro.

Em seu discurso de posse, Sérgio Nobre agradeceu a todos e todas que participaram do 13º Concut pela qualidade rica dos debates. Ele destacou que o período de seu mandato será duro em consequência dos ataques aos direitos que a classe trabalhadora vem sofrendo mais fortemente nos últimos dez meses de governo de Jair Bolsonaro (PSL), que só apresenta propostas de retirada de direitos sociais e trabalhistas e não tem projeto de desenvolvimento econômico, com justiça e inclusão social, e geração de emprego e renda. Por isso, afirmou que “a CUT esteve o tempo todo nas ruas e vai continuar assim”, em defesa do patrimônio público, das estatais, da Amazônia e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Sobre o Congresso, Nobre disse que foi realizado numa conjuntura adversa, difícil, que requereu de todas as forças políticas a mais ampla unidade para enfrentar o fascismo neste país. “Esta chapa expressa toda a diversidade do país, de raça e entidades. Tem gente do campo, da cidade, de entidades públicas e privadas e LGBTs”, declarou.

O 13º Concut contou com 1.957 delegados e delegadas inscritos. Deste total, 1.705 se credenciaram, sendo 968 homens e 737 mulheres.

Mais informações sobre os vários temas do congresso em http://cutrs.org.br